segunda-feira, 1 de julho de 2013

Opium.



Religion is not the opiate of the people, is the placebo. 
The seven deadly sins but are the real opium.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Das coisas de plebe.





                Devo estar ficando velha... só pode! Cada vez mais coisas corriqueiras me incomodam. Tento ser mais transigente e evoluída, mas definitivamente isso não me pertence. Por exemplo: situações desconfortáveis de ônibus.
                Aquele ser, geralmente avantajado, que, na hora de sentar do seu lado, meio que erra o alvo e joga metade das próprias dobras em cima de você sem ao menos falar com licença.
                Ou o indivíduo, sempre com a voz mais esganiçada e irritante possível, que nem os tampões de ouvido abafam, que pensa que trânsito é lugar de gastar o bônus da operadora e ligar pra 75% da agenda. Mas como se não fosse o bastante esse camaradinha comunicativo tem que falar alto! Por que Senhor? Por quê? Não me interessam os exames médicos, ou o que Fulano disse pra Siclano sobre Beltrano! Quero é dormir! Sem falar nos rádios, onde além de você escutar o mal educado daqui escuta também a resposta do de lá! Isso é pior do que os dois mal educados que conversam gritando, como se estivessem numa boate com som estridente. Esses dois ainda é possível acompanhar, feito telenovela...
                E os caras que não seguram sua mochila? Se o indivíduo Um está sentado, é sabido que esse deve ajudar o indivíduo Dois que está de pé.
                Tem também os que não levantam pros velhinhos? Todo mundo sabe que eles são cheios de dores e quase nenhum equilíbrio e por isso têm que ficar sentados! Mas pior são os velhinhos que param do meu lado e quem tem que levantar sou eu.
                Todavia, dúvida encasquetante mesmo são as grávidas gordas que você não sabe identificar se aquele barrigão é um filho ou só muito hambúrguer com coca cola.
                E os caras que colocam música tão alta no fone de ouvido que você e todo o estado do rio também escutam? Isso me dá uma irritação tão grande! Porque eles já estão de fones de ouvido, em teoria eu não poderia reclamar e então passo toda minha viajem alternando entre ficar com raiva e reunir corajem pra falar com o cara.
                Mas e no dia mega frio, que o ônibus tá meeega gelado e você quer que aquele gordo que emana calor sente do seu lado e senta aquela garotinha magricela? Por culpa dessa garotinha você morre congelado.
                Não vou nem falar no roubo que é a passagem de ônibus. Eu entrei na faculdade pagando 3,20, to saindo pagando a bagatela de 5,95!Não quero dar qualquer relevância politico-social e tirar o ar de pilhéria do texto.
                Ônibus lotado? Um monte de gente suada, fedorenta encostando em você. E as vezes, você quer ser gentil e se espreme para que o sujeito passe atrás de você, ele se sente confortável e feliz e então para bem ali e não deixa espaço pra você voltar pra onde estava e por isso tem que passar todo o trajeto encolhida!
                Ruim mesmo é quando fica tanto tempo no transito que o livro chega à parte chata. Ou pior, quando ele acaba?! Aí a dor do fim se junta à expectativa de uma jornada longa e sem distrações.
                E o ônibus velho, trepidante que range a cada ranhura do asfalto e como aqui no rio quase não tem irregularidades nas ruas eu me sinto como se estivesse viajando num liquidificador com assentos de igreja igualmente duros e desconfortáveis feitos única e exclusivamente para o meu suplicio.
                As pessoas não sabem que ônibus são feitos pra dormir ou pra ler? Se não sabem deveriam saber! Espero estar esclarecendo essa dúvida.


Os.: 1- Se for uma viajem longa ou excursão a ordem é justamente fazer muita bagunça, cantoria, zoar quem dormir e colar o piroto no teto.
        2- Esse texto foi criado e produzido numa longa viajem de ônibus sem livros ou tampões de ouvido.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Cebola




                Existem pessoas que escondem seus sentimentos em baixo de camadas e camadas e camadas de proteção. Erguem muros impenetráveis protegendo a alma de tudo e de todos.               
                Não demonstram. Fingem pra todos, inclusive pra si mesmos, que não ligam. Não deixam que os outros saibam o que se passa. Não se preocupam o fazem os outros sentir.
                Acho que essas pessoas guardam tanto as próprias emoções que em algum momento param de sentir. Ficam anestesiadas às emoções humanas! E não há nada que você possa fazer pra passar por todas as camadas de proteção dessas pessoas; E nem saberia dizer se há algo embaixo de tudo.
                Pessoas cebola guardam a alma embaixo de muitas camadas por muito tempo. Não exercitam a emoção e ela apodrece. Se você se dispõe a ultrapassar todas essas camadas chegam a lugar nenhum depois de chorar muito.

“Ainda bem que sempre existe outro dia
E outros sonhos
E outros risos
E outras pessoas
E outras coisas”
ClarisseL.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sonhar é de graça, porque todo o resto...


Sempre que se é pobre e desempregado você tem vontade de fazer coisas super legais, mas seu dinheiro não sente o mesmo ímpeto.
Então decidi estar empregada até o fim do ano. E, ja que estarei empregada, posso sonhar no credito e não no debito automático!
Portanto fiz uma lista de coisas que eu quero antes do natal!

+ Resgatar o rim que penhorei pra comprar um pc.
+ Dar uma festa.
+ Comprar camisas e calças sociais (das boas, porque as que custam menos de $120 são cortadas pra pessoas retas e ficam horrorosas em quem tem algum volume).
+ Gastar rios de $$ com bolsas e sapatos maravilhosos.
+ Dar um upgrade na minha biblioteca e pinacoteca particulares.
+ Comprar um VG.
+ Gastar tubos de dinheiro em tratamentos estéticos.
+ Comprar uma lente zoom e uma 50mm.
+ Passar um mes na casa da tia Karla nos USA pra comprar tudo isso sem decretar falência pessoal.
+ Fazer um cruzeiro pelas ilhas gregas.
+ Voar de asa delta.
+ Parar de torrar loucamente meu $$ e comecar a juntar pra minha casa minha vida.

Aiai...

Das coisas que acontecem

Depois de um acampamento, de uma viajem algumas certezas ficam marcadas:

* Dormir e acordar, rir e trabalhar junto com alguém gera laços difíceis de desatar; A pessoa pode ter ido como seu colega, mas voltou como seu irmão.

* Seu corpinho lindo e belo voltará com no mínimo 4 unhas quebradas, todas sujas, 1 contratura muscular, dores difusas, escoriações, picadas de mosquito e hematomas em vários tons de roxo, verde e amarelo.

* As histórias ainda serão especiais 10 anos depois.

* O sono demorará uma semana pra passar.

* Vc não vai dormir de boca aberta na frente de todo mundo novamente!

* Sua meia NUNCA voltará a ser branca.

* As fotos sempre vão te tirar um sorriso.

Anciã de 23

Chorão morreu, tava na modinha, todo cão, gato e papagaio (principalmente esses) postou mensagens. Ele era legal, ok, tb acho. Mas procurou a morte e acabou encontrando...
Agora o melhor tenor brasileiro se foi e ninguém fez um comentário, a nao ser pra fazer piadas.
E sei que muitos vão falar que ele era chato e tal...mas muito me preocupa o enorme desdem da juventude pelas raizes. Por exemplo O Rappa gravou suplica cearence; todos pensam: "uaaaau, que musica atual, eles sao otimos". Mas se eu falar pra um desses fãs pra escutar uma música de 50 anos do Catulo da Paixão, duvido que dessem ideia a essa que vos fala. Mal sabem esses preconceituosos modernos que a musica eh mais velha que meu pai.
Sim, estou irritada pq perdi um idolo e ninguem nem sequer respeitou. E tb pq eu sou taxada de velha por preferir musicas poeticas e bem elaboradas, e toda vez que um moderno regrava uma dessas todos caem apaixonados, mas antes tinham aversao ao original.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ela muda seu status de relacionamento sério para solteira.



            Não imagino como seja para as outras pessoas, mas comigo é sempre uma sensação de abandono, de coração partido quando acabo de ler um bom livro. Constantemente tenho a impressão de que as personagens seguem suas vidas, mas param de compartilhá-las comigo.
            Mesmo depois do derradeiro fim, a estória continua ecoando num canto dos meus pensamentos. Nem sei como descreveria corretamente essa sensação; Não sei se é um luto pela personagem que não vai mais voltar ou se é como uma ressaca literária, onde me fartei de mais do livro pra conseguir ver outro tão cedo, mas por semanas após o fim ainda sinto sua presença.
            É quase como um término de relacionamento onde temos que nos acostumar à ausência constante e retornar às outras atividades e companhias. Também, como nos relacionamentos verdadeiramente marcantes, não consigo logo em seguida engatar numa outra estória porque ainda estou vivendo na anterior; tem de haver um período dedicado a sentir as últimas reverberações daquele enredo. É, acho que é bem isso.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Não é mais que um breve adeus.




                   Há uns 10 anos, quando eu era membro juvenil David fez uma pergunta numa noite mística: “Por que vocês acham que nós, chefes, gastamos nosso tempo, disposição e paciência com o escotismo”?
                Na época eu não tive uma resposta decente. Achava que era pela sensação de estar ajudando alguém.
                Hoje eu consigo pensar em algumas boas respostas...
                Um dos meus eventos como pioneira, junto com Mellina, Neruska, Márcia e Aimee, foi o: “Um dia de escoteiro”. Esse projeto trouxe para nosso GESFA algumas pessoas novas que desde o início foram maravilhosas e aderiram o escotismo como modo de vida e adotaram o GESSFA como família.
                Poucos anos depois, quando eu estava com quase 21 anos, prestes a sair do Clã, já decidida a dar um tempo do movimento, me fizerem a proposta de me juntar ao Kob, meu amigo e padrinho no Clã, na chefia da TSM. Chefia que estava momentaneamente desestruturada.
                E como eu poderia não aceitar esse convite, sendo a tropa em questão formada pelas 3 crianças que chegaram no grupo naquele evento. Crianças que me adotaram como irmãzinha, antes mesmo de eu ser qualquer outra coisa pra eles além de colega de grupo. Mas ainda assim eu não aceitaria, eu não mantinha a organização no meu armário, como manteria organizada uma tropa com jovens de 15 a 18 anos?!!!!Porém duas pessoas acreditaram que eu era capaz, pessoas cuja opinião importa, e muito. Então, acreditando muito mais nelas do que em mim mesma eu virei chefe. Achando que passaria aos outros tudo o que o escotismo já havia me dado.
                E eu, Euzinha da Silva virei chefe Sênior, ou como sou mais conhecida, Chefona Boladona! E pude conviver, aprender e ensinar com essa tropa.
                E muito prematuramente minha Bia fez 18 anos e saiu de minhas asas. Foi a despedida mais emocionante e lacrimosa que já participei. E ela deixou de ser minha guia e amiga e se tornou só minha amiga.
                Mais um tempo e Biazinha também alcança a maioridade. A tropa já era diferente, outras pessoas. E lá se foi minha maior guia, minha protetora, minha ajudante. Ela me lembrava de como um sênior deveria ser. Meu exemplo de monitora, companheira e amiga. Dessa vez foi uma despedida menos molhada, mas que doeu, doeu muito. Quando meu mestre pioneiro foi buscar minha menininha, meu coração foi junto.
                E enquanto eu ainda tento superar a passagem da Bia, o mais novo integrante dessa tropa a três deixou de ser quase maior de idade e virou judicialmente um homem.
                Aquele que nos últimos tempos me ajudou a madurar a segunda geração da minha tropa. Que sempre topou todas as maluquices e cabriolagens dessa que os fala. O Companheiro, amigo e sempre solícito e supereducado Rafhael. Aquele que no Dia do Escoteiro foi o primeiro a falar comigo e desde então nunca me deixou sozinha.
                Como se já não fosse emocionante o suficiente, como se o meu coração já não estivesse apertado o bastante por cortar o cordão umbilical, ele ainda me faz um maravilhoso e verdadeiro presente. Foi a coisa mais linda que você poderia ter feito. E eu sou hedonicamente grata.
                Agora posso responder com riqueza de detalhes e exemplos o porquê de eu ser chefe, de perder noites planejando acampamento, gastar hooooras verificando etapas de progressão e vendo especialidades. Porque o que essas crianças me dão em troca, não tem preço, não existem palavras pra descrever, mas a que mais se aproxima é amor! E é um amor tão fácil, tão absoluto que nem cabe em mim ou nesse textinho.
                Obrigada Mestres, por acreditarem em mim. Obrigada Rafha, pelo presente. Obrigada Tropa a Três por serem as melhores cobaias do mundo. E obrigada aos meus meninos de agora, por aturarem essa verdadeira Felícia lambendo a cria a todo tempo (já viram que não vou deixar vocês irem embora tão facilmente, né?!).