Às vezes queria poder criar asas e sair de mim. Dar uma volta, olhar outras pessoas, com outros hábitos, ouvir outras vozes, ver outras almas. Queria conhece novas paisagens. Voar, voar e voar. Ser leve, lânguida e singela. Eu seria somente eu, e isso bastaria. Seria intangível, intocável pelos infernos humanos. Seria boa e bela. Com minhas asas as maldades não me alcançariam. Se tivesse asas talvez as pessoas se deixassem amar, sem duvidar ou magoar. Talvez as pessoas abrissem seus corações à beleza de minhas asas. As pessoas olhariam pra mim e me enxergariam, quem sabe? Gostaria de ter asas, mas também um lugar seguro para pousar. Hoje eu queria ter asas e voar. Voar pra longe, bem longe.
Sinto a música pulsando, primeiro no estomago e depois se espalhando. Começo a me mexer tão timidamente quanto meu desejo me permite, esboço um sorriso e olho em volta a procura do meu par.
E então vou dançar. E quando danço tudo se dissolve, tudo se apaga, o espaço e tempo se dilatam. Tudo se resume a mim, meu par e a música. Sinto cada parte, cada músculo, sinto as articulações amolecendo e se soltando; Sinto a música pulsando, primeiro no estomago e depois se espalhando; sinto o meu par.
Um arrepio perpassa meu corpo, a cabeça se esvazia de preocupações, o corpo se relaxa, o sorriso toma conta de minha face e quando noto estou sendo conduzida pelo salão com olhos semi-serrados de prazer. Sinto-me flutuando.
Não sou mais uma estudante, filha ou amiga, sou uma dama sendo conduzida. Apenas atendo aos pedidos do meu cavalheiro. Não sei o que vai acontecer no segundo seguinte até acontecer. Sou um corpo inerte esperando a condução, e quando essa vem me movo na direção indicada, é uma coisa instintiva, faço coisas que nunca aprendi, que nem mesmo sei que sou capas de fazer, só faço.
O contato? Ah, o contato pode falar tanto... Pode dizer: “eu te quero” ou só “quero me divertir”.
Se for com a pessoa certa então, melhor! A mão na mão com um leve aperto. Os olhos nos olhos. A mão dele pressionando minhas costas. O calor do peito dele junto do meu, sinto seu coração batendo descompassado. Minha mão em sua nuca, mexo em seus cabelos macios. Seu perfume inunda minhas narinas.
Então já não somos mais eu e ele, somos um bloco humano vibrando, quase instintivamente, ao som da música. Somos pele, toque, cheiro e movimento.
Ainda posso escolher que emoções sentir; Se quero sentir meu parceiro, se quero valorizar o toque, o contato vou dançar um xote, um tango ou bolero. Na a salsa, no soltinho e no samba, sou mais energia, explosão e alegria. O zouk emana sensualidade. O ballet exprime toda delicadeza e languidez possíveis a um ser. Na dança contemporânea tudo é força, virilidade, sensualidade, energia e explosão. A dança do ventre, embora aparentemente seja dançada apenas pela mulher, é na verdade dançada pelos dois, pela bailarina e pelo espectador. Cada movimento dela gera uma reação - a respiração torna-se mais profunda, o olhar mais desejoso - e isso incentiva a mulher a querer seduzir ainda mais seu voier.
Não conheço, infelizmente, todas as danças. Mas não conheci até hoje uma que não tivesse seu brilho. Partindo da premissa, é claro, de que funk não é musica funk também não é dança, no máximo uma demonstração pernóstica e vulgar. É exatamente o que existe em quase todas as outras danças, só que sem a sensualidade, sem a classe, sem sutileza, enfim, não é dança.
Enfim, não importa o que cada ritmo suscite em você, isso muda de pessoa pra pessoa, o importante é o quanto é maravilhoso dançar. Um prazer que beira o divino.
Por mais que eu continue a tentar descrever tudo o que sinto ao dançar, escreverei um livro e nunca chegarei nem perto da realidade do que é dançar. Porque dançar é simplesmente uma coisa inexplicável.
Passei minha vida inteira esperando pelo meu glorioso trote como uma espécie de brincadeira secreta que só aos pertencentes do clubinho especial é permitida.
Eis que então fui pro Fundão super animada com os boatos que havia escutado sobre um tal pré-trote já ali na inscrição. Qual o quê? Nada aconteceu - acho que o fato de o meu pai com sua habitual cara de poucos amigos estar presente deve ter influenciado de alguma forma... Contudo eu precisava dele, sou mulher, não tenho GPS de fábrica.
Mas me resignei bem, ainda havia a inscrição por matéria, a primeira semana e fora o boato que também poderia ser falso.
Logo a inscrição por matéria chegou! Legal, se eu fosse veterano hoje estaria lá plantado na porta para zoarmeus calouros. Então planejei tudo fria e calculadamente: coloquei uma roupa legal que me favorecesse, mas já ligeiramente surrada, chamei minha amiga gostosona, também da área de biomédicas, pra me acompanharBem, se tiver homens lá eles não vão nos zoar de mais (no máximo nos cantar), e caso tenha muitas mulheres, eu estou mulamba o bastante pra que elas apenas me ignorem e não tenham nenhuma predileção por mim.
Mas pro meu azar fui, entrei no prédio, passei 3x pela minha portinha até percebê-la e me sentir caloura demais, me demorei o máximo que pude, olhando disfarçadamente (o que pros meus parâmetros é algo grotescamente descarado) em volta à procura de alguma aglomeração de pessoas perdidas feito eu. Quando enfim avistei uma, fiquei contente e já planejando fingir que entrava na rodinha muito a contra gosto. Mas ao me aproximar: o desalento - era o pessoal de enfermagem. E fui embora com somente meu papelzinho me dizendo que teria apenas 3 matérias (como assim?) e qual meu horário. Não ganhei uma agenda dos trotes, como meus amiguinhos do primeiro semestre, mas já me sentia perdida o bastante pra perguntar por ela.
A gostosona tinha que ir se encontrar com o peguete, não tive outra saída a não ser vir embora, mais uma vez limpa e sem conhecer ninguém. Logicamente, por estar desacompanhada, entrei no ônibus errado e fui parar no aeroporto ao invés de vir para Niterói.
Mas só a data de uma palestra informativa com o som de trote vibrando por trás já foi o bastante para que meus ânimos reaparecessem.
No dia da tal palestra cheguei a marcar com um amiguinho. Mas oito meses acordando todo dia meio-dia podem fazer um estrago fora do comum com um ser. Levantar as 6:00 (praticamente de madrugada) se tornou uma tarefa impossível, e, obviamente, perdi a hora. Mas, tudo bem, era só uma palestra, no máximo teriam apresentações depois, sem falar que terei toda uma semana de trotes pra me refestelar depois do dia 4 - tentei mentir pra mim.
E então hoje veio a frustração mor, a supra-sumo das frustrações, a maior frustração da minha vida (nem quando eu descobri que o músculo que pode aumentar até 5x o tamanho é o do olho fiquei tão frustrada). Descobri que toda essa semana que passou foi justamente A semana do trote, meu tão sonhado trote.
Foi como se o Macaco Louco entrasse na sala dos cristais das ilusões e esperanças. Esperava pelo dia que eu comprovaria minhas teorias de que com um bom decote e uma tatoo de guache no braço eu arrancaria milhões em moedinhas de 0,10 dos homens feitos da rua. Queria voltar ao meu colégio cheia de orgulho mostrando o resultado do trabalho deles (e arrancar mais alguns milhões em moedinhas dos professores queridos).
Agora vou ter que esperar pela minha segunda faculdade, isso se eu fizer uma. Mas aí já estarei caída, e nada será como esse seria. Meus professores serão velhinhos senis, surdos e estressados por tantas crianças chatas e nem se lembrarão de mim-mais uma das crianças chatas.
Estou frustrada. E muito. Contrariada. De biquinho. Chateada. Agora só resta - me o doce consolo dos chocolates, que nunca me frustrarão, não importa o quanto eu seja distraída, tonta ou preguiçosa.
Decidi, não sei o porque, fazer uma pequena homenagem aos cem anos da imigração desses pequenos espécimes orientais.
Eles trouxeram consigo sua cultura. E os meus maiores vícios atuais são produto dessa imigração.
Mangás, doramas, nikkei, j-rock, animes, filmes de terror cômicos, fora a tecnologia e os produtos asiáticos não duráveis de R$ 1 ,99. São coisas tão legais e que me fazem tão bem.
A arquitetura é outra coisa super supimpa! Aquelas casinhas com telhados pontudos e portas corrediças de madeira e papel vegetal. Sem falar que os tampinhas são extremamente inteligentes, arranjam cada saída mais criativa que a outra pra falta de espaço.
A moda também é algo que se deva ser comentado, gotic lolita, punks, elegante lolita ou os somente estranho mesmo.
Mas apesar de todo o resto ser muito bacaninha o que realmente chama atenção é a educação deles. São tão gentis e educados, prezam pela família.
Cara, até que esses seres de olhinhos fechados são muito legais! Até o Lula reconheceu isso!
Pergunto-me quantas pessoas tem capacidade, ou vontade, não sei, de escutar uma mesma música até a exaustão. Quando estou com uma música na mente e acho a bendita, escuto repetidamente por horas.
A música da vez é: “mulher sem razão”. Acho que já estou há uma meia hora escutando.
Geralmente isso é variável, depende do quanto eu estou irritada e de quanto a música tem a ver com isso. No caso tem bastante a ver.
Se bem que hoje não estou irritada. Estou triste. Quero me trancar num quarto, sozinha com meu livro, um edredom e covardemente ignorar minhas aflições; mas ao invés disso estou aqui, mais uma vez usando isso daqui como muro das lamentações. Geralmente evito fazer isso, mas hoje nada sairia além de lamentações.
Afinal, acho que eu poderia simplesmente fazer republicações ao invés de escrever palavras diferentes pras mesmas coisas. Pensando bem, eu nunca havia escrito nada quando triste. É raro eu estar triste, irritada, com raiva, chateada, contrariada, freqüentemente, mas muito raramente triste.
Isso tudo porque pessoas que amo resolveram expressas as aflições próprias quanto aos meus erros antigos e expectativa de que eles se repitam. Sei que eles nunca vão sumir, mas eu não mereço ser lembrada da existência deles com tanta freqüência. Geralmente eu não me importaria, se fossem outros a me lembrar dos erros, mas são os que amo que vem me falar.
A música é melancólica, estou chorando, meu peito ta apertado e eu to triste.
É o que eu digo, sempre espere alguma coisa de um sábado à noite.
Papai chegou de viajem esses dias e trouxe mil presentes.
Eu estava apaixonada por um chapeuzinho de lhama que papai trouxe da Bolíva pra mim, ele estava no topo dos presentes. O mais legal, mais legal do que relógios ou óculos foi o chapeuzinho, já estava me apaixonando por ele. Isso até minha mãe fazer bother no papai pra que ele me desse meu presente de aniversário, aí sim o chapeuzinho de lhama ficou anos-luz pra traz. (É incrível como paixões são coisas passageiras!)
Cara, ganhei um ipod nano da apple Pink!!!! O bixinho é pink!
E rapidamente ele ganhou o único nome cabível: My precious!Ele é lindo, acho que isso não é paixão é amor.
Se ontem quando eu escrevi o poust eu estava absurdamente revoltada e chateada momentos depois e algumas sessões de cara-o-quê com you are my sunshine me fizeram ir dormir bem, muito bem.
Deus cantar é uma benção! Não consigo ficar triste ou chateada por muito tempo justamente por isso. Pelo menos não continuamente. Papai também é assim.
Faz tanto bem! Cantei sunshine, Adriana Calcanhoto, Chico Buarque. É tão bom. Eu podia agora aproveitar a deixa e pagar de sabida e falar de alguma pesquisa médica de algum psicoterapeuta ou qualquer outro médico alternativo dizendo todos os bens fisiológicos da respiração abdominal bem estruturada já conhecidos mas eu não tenho seriedade suficiente. Prefiro falar que é muito bom cantar.
Sai tudo que tem de ruim no peito. Faz com que tudo o que eu faça, mesmo que seja chato ou penoso se torne mais agradável, e infelizmente mais demorado...
Passei o dia com uma cólica dos demônios, em cima de um salto agulha (divino) de 12cm e um frio polar gravando. Mas tudo foi amenizado cantando i’ll survive e sunshine o dia inteiro (com letras variadas e na maioria das vezes erradas...).
Meus filhos vão escutar a mãe cantando dia e noite. Tem gente que canta muito mal, espanta moscas e quebra copos com a voz, mas sem querer me gabar, canto muito bem! Meus pimpolhos não vão enlouquecer, não por esse motivo, pelo menos.
Eu muito em breve vou aprender a tocar violão pra poder me acompanhar nas cantorias.
Por quê alguém faz tanta questão de ser mau-humorada?
Por quê alguém pode gostar tanto de estragar o dia do outro?
A vida tem tanta coisa boa, mas não, vamos estragar tudo por causa de uma louça suja, de um beijo ou qualquer outra coisa insignificante.
Ai Deus, essas pessoas não sabem se felizes! Não se alegram com nada, nada satisfaz, nunca está bom o bastante, desconjuro, cruzes! Eu é que não quero gente assim por perto.
Fazem questão de super valorizar os pontos negativos da vida, de arrumar briga com todo mundo.
Não to falando pra pessoa ser feito eu, super positiva e otimista à la Polyana; mas vamos combinar né?!
Não aguento tanto pessimismo e mau-humor.
Já nem fico mais com ráiva ou irritada, só me cansa. Porque, Deus tanta briga à toa?
Ai que saco! Tem 2 espinhas no meu rosto, to inchada e de TPM. Não quero ser compreenciva e nem amável enquanto tomo patadas incoerentes, já tenho os meus problemas.
Sem grandes novidades, já que eu estou entrando em crise pra conseguir fazer a minha festa junina acontecer.
Então fiz um pot-pourri de frases épicas e fundamentais na mente das mulheres, lá vai:
>>São coisas em comum que fazem relacionamentos agradáveis, mas são as pequenas diferenças que os tornam interessantes. Com certeza!
>>Se alguma coisa tem testículos ou rodas, é sinal de encrenca para as mulheres. Fato...pena que é impossível viver sem dirigir ou sem homens, ambos são maus necessários!
>>Viver bem é a vingança possível sobre a Terra, mas viver bem enquanto o seu ex vive mal é o paraíso. Agora todos sabem o meu lema de vida!
>>Homens são em sua maioria, cachorros, e a diplomacia conjugal consiste em dizer “bom cãozinho” até encontrar uma pedra pra atirar.
Por enquanto é só, depois tem mais frases milenares de suma importância!
Estava eu em mais uma das minhas crises de Cinderela, de shorts, sutian e avental, com a música muito animada e alta no rádio. Então começa uma música que eu adoro, nesse momento eu tomei a única atitude cabível: parei de limpar o chão, tirei o pano do rodo e usei de uma melhor forma, como microfone pra eu cantar e rebolar como uma boa pobre-star.
E nesse momento muito oportuno, chamada por Murphy, minha mãe chega e se diverte com a cena, e depois de umas boas gargalhadas me solta uma pérola: “Raíssa, seu marido vai ter muita sorte!!!”. E sabe que eu concordo com ela...
Bem, depois desse lindo momento de reflexão eu fui obrigada a voltar a passar o pano na cozinha.