Porque
simplesmente algumas pessoas mudam sua vida, e você simplesmente nunca mais vai
esquecer elas e na maioria das vezes ela nem se quer sabe que passam mais vezes
na sua cabeça do que comercial de supermercado.
Nem
precisam se coisas grandes. Por exemplo, Flora me falou uma vez o quão trágico
pode ser um sutiã bege e hoje em dia toda vez que vejo uma alcinha roxa,azul ou
verde lembro dela; também quando uma pessoa fala algo inesperadamente
inteligente ou divertido e essa pessoa ganha imediatamente um + mental nas
minhas contas de afeição, tipo The Sims.
Lembro
da Carolina tornando coloquiais e cotidianas figuras de linguagem, tipo
hiperbolizar coisas, ser um eufemista ou prosopopeiar tudo em volta (como eu
faço, porque tenho problemas) , o que acabou se tornando uma das minha formas
de definição preferidas.
Às
vezes é um comentário despretensioso que faz toda diferença pra sempre. Uma vez
Evelyn disse que eu tenho uma boa energia, algo alegre que faz as pessoas quererem
estar do meu lado, não sei porque cargas d`água eu acreditei nela e esse
comentário sempre me fez bem e me dá confiança pra eu acreditar que sou legal.
Ou a Rosi sempre repetindo que só vai fazer o que quer, porque só se vive uma
vez. A Mariana, dizendo que nem tudo o que é bom é necessariamente bom pra mim.
Outra
coisa que também mudou minha vida: pessoas que me apresentaram coisas que eu
adoro! Bianca e TBBT, a série, Renan e USQ, o site de tirinhas, Cyntia e HP, o
livro que me levou a virar uma leitora, Elaine e o Pilates, Babi e Flora, com
sugestões que não devo falar em público, Sylvia e a escalada, Antônio (um
querido amigo virtual) e minha amada yoga ou o Panetone e a Acro...
Toda essa galera realmente mudou
minha vida. Pra melhor. Alguns desses não moram mais na minha vida, outros
nunca moraram, todos fizeram um comentário bobo e rápido. Mas fazem diferença
até hoje.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Mais uma lista. Dessa vez sobre coisas lindas e aterradoras.
Amor. Um grande amor manda a lógica ir passear. Preenche de tal forma os espaços na nossa vida, no nosso cotidiano, no nosso coração que não sobra nem um espacinho pra dúvida, pra tristeza, pra insegurança.
Maremotos; Tormenta; Mar revolto; Lindo de se ver, o barulho das ondas é impressionante, ver o quanto o mar tão lindo e acalentador de um dia e se transformar num turbilhão poderoso e destrutivo no outro. o jeito como o céu fecha, as ondas se armam, os ventos se esgoelam, parece que realmente existem deuses morando no oceano e no firmamento, e que eles não estão felizes.
Amor Platônico. É lindo, o alvo do nosso platonismo é sempre perfeito. Mas é atemorizante a ideia de chegar perto, conversar, e deixar, em algum momento transparecer tudo o que se passa por trás das palavras (não só das ditas). E, se por ventura, um beijo acontecer, aí então que todas as esperanças e expectativas se embaraçam e brincam de ginástica olímpica dentro do seu estômago.
Tatuagem. Cheia de significados, é linda, bela e diz o quanto a pessoa tem coragem (nem sempre consciente ou inteligente); mas faze-la é um auto flagelo, e é permanente, vai estar pra sempre presa a você te fazendo lembrar mil coisas, ela não vai se transformar junto com você ou mudar de lugar junto com sua pele, e mesmo assim não perde o encanto e o charme.
Família. Ter uma é, indiscutivelmente, bom; mas também dá trabalho e demanda tempo, vontade, paciência, empenho e muito amor. Participar de uma já e difícil. Criar uma então?! Deve ser muito punk. Ser responsável por um filho!
Grandes mudanças. Como num desenho animado (que é a forma básica de funcionamento da minha mente) vejo expectativas, planos e esperanças duelando com medos e inseguranças. Todos conjecturando em torno de mudanças expressivas. E ali no meio você está, ciente da responsabilidade e tomar suas decisões, certas ou não. E então, mesmo cheio de medo você avança, porque é assim que a vida é.
Liberdade é outro dos itens que admiro muito à distância, que me fascina e me amedronta.
E sabe qual o item que dá a coesão ao texto? A sensação de ser uma parte pequena dentro dessas coisas. São todas lindas, poderosas, atraentes e perigosas. Coisas que não controlamos plenamente. Apesar das consequências você quer entrar no meio do turbilhão de emoções e sentir o mundo vibrar. E mesmo sabendo o quanto pode dar errado a vontade é tamanha que nem consegui explicar!
terça-feira, 21 de abril de 2015
Um Clã de PioneirAs
De novo, como na alcateia, eu
tinha a sensação de estar vivendo um ramo plenamente. Tinha certa paz e
felicidade nas atividades desse ramo. Amei, viajei, sorri, fui feliz e me senti amada, parte de uma família linda. Escutar o hino do clã sempre me emociona. Apesar de não comentar isso muitas vezes é, de longe, o melhor ramo que vivi como jovem.
Estive com a Aimeé, entre idas e vindas, desde os onze, mas foi só no clã que ela se
tornou uma irmã. Evelyn, que saiu da tropa sênior junto comigo, era minha amiga
e confidente. Mellina um exemplo e um guia. David um cara admirável a quem eu
tentava não decepcionar (o que não consegui 100%). Sempre admirei demais meus mestres. Em nenhum outro lugar o exemplo ensinou tanto! E o melhor, essas relações eram facilmente estendidas
pra fora do movimento escoteiro.
Como
agentes do nosso próprio programa éramos uma bosta. Nunca fizemos grandes
projetos de serviço. Mas enquanto participantes sempre refletimos e absorvemos
a moral de toda estória. Sei que aprendemos e crescemos muito como cidadãos.
Fizemos
coisas boas, tipo o festival da clãção, fomos a algumas vigílias, fizemos o
cp; Pela primeira vez fui a uma atividade nacional (o que é uma experiência pela qual todos devem passar). Fizemos o dia de escoteiro, que num ano particularmente bom deu super certo e trouxe pro grupo
alguns jovens mais do que especiais, o que me deixa muito feliz pra dizer que agora eles são tão importantes e brilhantes no grupo porque um dia nós fizemos essa atividade!
A
primeira festa junina do GESFA, que me orgulho muito de dizer que se hoje ela é
tradição foi porque eu e meu clã de pioneiras fizemos a primeira e por muito
tempo tive um carinho enorme por esse evento.
Kobould
e Dani viraram meus padrinhos, que gosto tanto de um jeito que ainda não sei
demonstrar mas que até hoje moram no meu coração. Participei do natal dos adultos e
das Indabas, me senti quase um adulto do GESFA! Fiquei nervosa da primeira vez
que eles me viram bebendo! Oficialmente!
Duas
viagens são lindamente coloridas nas minhas recordações. Uma viagem pra
Itatiaia que foi a melhor confraternização com amigos que já vi no GESFA ou em
qualquer outro lugar. Todos juntos, com famílias, jogos, contato com a
natureza, brincadeiras e um clima fraterno realmente como se fossemos uma
família.
E
uma viagem só do clã pro Garrafão com a Neruska. Passeios, trilhas, cachoeiras,
cachorro, cavalo, fogão a lenha, frio, vigília, conversas, reflexões, eu
descobrindo que David cansado dorme igual a uma pedra... Falando assim não teve
nada de especial, mas foi, e muito.
Nunca
foi servir o meu lema e meu foco nas atividades do clã e em coisa alguma. Eu
amei verdadeiramente estar no meio de amigos. Poder conversar, ter alguém pra
me fazer refletir. Não sei se da forma como o ramo se propõe, mas foi um lugar
magicamente feliz onde tive um crescimento pessoal considerável. Onde comecei a
acreditar em mim mesma pela primeira vez. Simplesmente porque uma pessoa que
admiro muito acreditava em mim e me dizia que eu era boa e capaz. Na verdade
não sei se eu conseguiria ajudar alguém ou servir; Mas considerando que eu usei
meu tempo no clã pra crescer e fortalecer meu espírito, hoje posso dizer que
cumpro o lema e sirvo, ainda de forma retardatária o objetivo se cumpriu.
Tivemos
depois de algum tempo alguns outros integrantes, tipo Estevão, Vitu, Will, Dimitri,
Anne. Todos são queridos e importantes na minha vida até hoje, mas pra mim
sempre foi um clã de pioneirAs.
Quando
ia partir do clã e tive medo de não ter mais meu clã como meus amigos; mas isso
não aconteceu exatamente, sempre pude contar com conselhos e companhia, só não
mais com a mesma frequência e intensidade. E isso doeu um pouquinho.
E
de repente fomos a um acampamento com o 35ºGE em Petrópolis e ali passei do clã
pra chefia da tropa sênior. O ramo mais inusitado, mas que simplesmente me
aceitou e me acolheu. Tentei ao máximo deixar meus mestres orgulhosos de terem
me escolhido como chefe. E em meia atividade eu já estava imensamente,
irremediavelmente e evidentemente apaixonada por cada um deles. (E são 3:32, chove e eu choro, porque eu devo ter sérios problemas com meus ductos...)
Adolescência
Não lembro como e nem porque
voltei. Acho que foi o Estevão. Sei que um dia eu estava caminhando na praia e
acabei numa reunião do grupo na praia de Charitas.
Assim
que voltei fui a um acampagesfa, meu acampamento de volta! Os acampagesfas tem
um significado muito grande pra mim. Sei que fiz vigília com Estevão e acabamos
conversando a noite toda e no dia seguinte eu e Aimee cantamos sobre um mamute
virando merda até anoitecer. Lembro-me do Ravi brigando com outro menino e tia Marcinha
desesperada pra apartar. De uma lobinha muito pequena e magricela que eu
carreguei no colo o tempo todo e depois de anos identifiquei como sendo a Marcela
que virou minha guia e um lobinho teimoso que ficou fazendo uma balsa durante
os três dias, que era o Marcinho, que também virou meu sênior agora. Do Douglas
e eu sentados no meio do jogo noturno olhando o céu e reclamando de jogos
noturnos.
Voltei
e me senti de novo tão feliz que escrevi num caderno que nunca mais sairia do GESFA
e comecei a planejar minha progressão pessoal. Álvaro era meu chefe, depois Léo,
e Evelyn, Very e Gledson, foram muitos que passaram. Na tropa eu tive 5.000
colegas diferentes, nenhum por muito tempo, mas todos muito bem quistos (menos
o Augusto que era uma mala), Vivian, Viviane, Fernando, Ravi, Jessica, Alice, Estevão,
Aimeé, Paola, Mauricio, Augusto, Gleiton, Loany...
Fomos
da Arpoador e depois reabrimos a patrulha Karuah, só feminina. Tenho até hj a
bandeirola que fiz com Aimeé e Jessica.
Lembro-me
do grande jogo da região dos lagos que fomos. Estevão sabe-tudo, Aimeé
companheira, Jessica sinistrona, foi uma das minhas atividades mais legais do
ramo. Lembro-me de uma garrafa de coca-cola compartilhada no fim do torneio
sentadas no meio fio, de um chefe gato que eu fiquei babando junto com a Evelyn
(que no caso com ela era recíproco!) e de uma luta de bastão memorável com
alguém do 15, Diniz, se não me engano, da noite que eu queria ficar de conversa
fiada com alguns garotos e o Very deu um piti, e de como tudo terminou na manhã
seguinte com pão com mortadela na padaria.
Também
ficou o torneio de pioneiria de São Gonçalo. Céeeus! O chão era uma bosta, nada
entrava, Maurício tava passando mal não fez nada, Augusto tava pegando Paola,
também não fez nada e no fim das contas eu e Aimeé ficamos a noite inteira
fazendo amarra, até aparecerem uns pioneiros bem intencionados pra nos ajudar! Como
esquecer o Bráulio e do meu grande dom de constranger todos com perguntas
infelizes? E de como foi frustrante não conseguir fazer nada e como Álvaro e Mônica
foram conversar conosco depois que eu estava seca de tanto chorar.
E a última atividade como guia. Um ELO no
forte Imbui. Eu estava de braço engessado. (na verdade todo meu ultimo ano como
guia eu estava de braço engessado!) Eu era a monitora, Alice minha sub, até
hoje tenho certa pena de ter mandado ela lavar o banheiro do acampamento,
lembro de uma das Vivis quase decepando o dedo. Acho que fomos a patrulha mais
adulada do acampamento por conta das pernas da Alice! Pra esse acampamento Álvaro
achou um rolo de 5kg de sisal, usávamos também de banco! Até hoje procuro por
um assim. De noite, depois do jogo noturno fui com o clã pro luau, me lembro da
Mônica beijando alguém, da Dani conversando comigo eternamente e por fim eu também
acabei beijando um menino (e isso não é um exemplo pra ninguém, mas acontece). Mesmo assim o escoteiro sempre foi um lugar que eu não estraguei com minhas decisões erradas sobre meninos.
Acho
que nessa época ganhava mais comentários e olhares de chefes do que depois que
virei chefe! Foi também na tropa sênior que começamos a interagir mais com outros grupos, tipo 15, 21. E tenho até hoje amigos muito queridos dessa época, tipo Dedé e Tamara!Ainda estudava no Pedro II, então faltava ou pegava reuniões pela metade, mas tentava sempre ir. Foi um ramo maravilhoso, mas não foi pleno.
Gostava
muito de conversar com Álvaro e com Evelyn. Nunca ganhamos nenhum torneio, mas
foi realmente bom. Tínhamos um blog! Como meu irmão sempre falou, eu sou
estranha, por isso nunca interagi bem em outro lugares, mas no grupo sempre foi
fácil. Ramo sênior é um ramo de desafios, pra mim o desafio sempre foi superar os meus limites, principalmente os sociais e de auto-confiança.
Então
a tropa ficou pequena, e só sobramos eu, Loany e Aimeé. E quando fizemos 18
reabrimos o clã aba tupã. Nas fotos: Costão e rapel no bananal em Itacoatiara 2006, acho, acampagesfa em Itaboraí em 2007 e um rio em Lumiar também em 2007.
Tropa Escoteira
Meu período no ramo escoteiro foi
o mais curto; Passei quase um ano. Meu Ractha da alcateia virou meu chefe
escoteiro e a Lobo griss a chefe. Sei
que fui a torneios, ria feito hiena com Lívia falando de garotos, gostava do
meu monitor Gabriel e meu sub Armênio implicava comigo sempre que podia. Era da
harpia e depois por muito pouco tempo fui sub da onça.
Meu
pai era chefe junto com Renato, e eu ia pra casa dele e brincava ou fazia
distintivos enquanto eles faziam reunião, depois sempre comíamos qualquer coisa
com ketchup. Sei que demorei um século pra refazer minha promessa como
escoteira e Gabriel teve que rebolar comigo.
Não
entendi quando o Renato parou umas cinquenta vezes na subida do parque da
cidade, ainda não conhecia o conceito de dor no joelho! Me recordo muito bem de
uma festa de confraternização enorme com todos os jovens, pais, chefes e
adultos, com direito à piscina, aula de dança, ceia de natal e teatrinho na
casa do Galindo.
Fora
isso me lembro do meu primeiro acampamento na fazenda surucucu, que as vacas
comeram nosso pão, da mochila bem feita da Thais, do Douglas me ensinando boca
de lobo, da Sthefanie dando mata leão no meu irmão. Do acampamento no forte
imbui, de usar latrina, do Danilo dando em cima de mim e meu pai brigando comigo
por causa disso! Do elo da UFF, que pintamos camisas, tomamos banho em barracões,
Léo brigou comigo porque eu não estava ajudando na cozinha e dormi pela
primeira vez na barraca com a Aimeé, foi o primeiro acampamento dela e meu
último no ramo, lembro dela falando que estava com medo e eu me senti feliz de estar
junto dela. Vivia agarrada com Welinka e Natalia, nem tanto com Loany.
Lembro
também como eu gostava da Milena como chefe, lembro dela falando sobre fazer
tranças com o cabelo úmido pra ele não virar um mafuá, e dela inspecionando
mochilas e me ensinando como fazer.
Depois
disso fui estudar aos sábados e saí do grupo. Foi o ramo menos significativo na
minha vida.
Nas fotos: reunião ordinária da harpia na pracinha em 2001 e aniversário de 55 anos do GESFA no cizinho.
Infância feliz
Também
não me lembro da minha promessa. Só da sensação de poder usar o uniforme. Da
minha vida de lobinha, foram outros momentos que ficaram gravados.
Eu era
da matilha branca. Lembro de mostrar orgulhosa um caderninho de boas ações pra
minha Akelá Claudenice, fazer fantoches, de chegar em casa contando tudo o que aprendi
numa excursão ao museu do índio, à um navio ou ao zoológico, uma trilha na
floresta da tijuca, da especialidade de confeiteiro, dos acampamentos de grupo,
quando eu via com admiração e medo os mais velhos, da especialidade de cultura indígena
que meu pai me ajudou a tirar, ou de como ele treinava comigo bola e peteca na
pracinha pra eu conseguir melhorar nos jogos. Lembro muito bem dos
acampagesfas, aniversários com bolo, dias só de música, de mamãe como parte do
grupo...
Também me lembro do Mang, o morcego,
que roubou meu biscoito na inspeção da mochila e comeu sozinho ou dizia pra eu
me virar quando os mais velhos roubavam meu boné, não fiquei triste quando ele
saiu!
Aprendi
a respeitar os velhos lobos, ser boa e fazer tranças! Sei que perguntava coisas
ininterruptamente, amava brincar na lama, comer pão com geleia e escutar as
estórias. Lembro-me de como eu estava nervosa no meu cruzeiro do sul e como
passei semanas carregando e colorindo uma pasta de documentos. Já escutei
estórias de que fui eu que quebrei o totem da alcateia, mas não me lembro dessa
parte não!! Até hoje fazer o melhor possível e sempre tentar são idéias que vieram da alcateia e fazem parte do meu dia a dia.
Nessa
época minhas referencias dos mais velhos eram ótimas, tinha a menina de cabelos
bonitos, acho que era chefe sênior, um bigodudo de sorriso largo que sempre falava coisas legais e que acho que era o pai da Mell, e o tio do
biscoito, que anos depois descobri que era o Kobould. Tinha vários amiguinhos,
tipo Wagner, Estevão, Loany, Isabela, Laurinha, Diogo que cantava Ana Julia. Tive também outra akela, Eliane; sei que ela me deu um pijama do piu-piu no meu aniversário!
Não tinha amigos na escola, nem em outros lugares, só no escoteiro. Lá sempre me senti aceita e importante.
Não tinha amigos na escola, nem em outros lugares, só no escoteiro. Lá sempre me senti aceita e importante.
Quando
ia fazer onze anos e sair da alcateia pra cidade dos homens eu estava com tanto
medo que não queria de jeito nenhum passar. Então duas monitoras, Sthefanie e
Lívia, que eu sempre admirei e achava lindas e sagazes vieram falar comigo. Senti-me
tão importante e quase confiante que passei quase sem medo. Só me lembro de
um fogo de conselho onde pela primeira vez prestei atenção na letra da canção
da despedida e chorei. Comecei a frequentar o gesfa em 1994, entrei na alcatéia em 1995 e saí em 2001. Agora quando fui procurar fotos dessa época nao achei muitas, afinal nessa época não se tirava muitas fotos, mas todas que achei eu estava sorrindo. Por muito tempo
foi o ramo onde fui mais feliz. Nas fotos: excursão ao Navio em 96. meu primeiro acampamento em 95, minha promessa em 97, e meu cruzeiro do sul em 2000.
domingo, 19 de abril de 2015
Sobre tristeza
Ser feliz é treino, é sorte, é vontade, é tudo junto. O
mundo é belo. Tudo que existe no mundo está aí pra nos fazer felizes. A
esperança, até hoje aprisionada dentro da caixa de Pandora, nos mantém crente e
forte pra trabalhar por um futuro bom.
Porém existem momentos em que tudo dá errado junto, de uma
só vez, e aí a tal esperança fraqueja nessa hora enxergar um futuro bonito e
feliz fica mais difícil.
Em geral existem válvulas de escape que nos ajudam a
lidar com as intempéries, fazendo tudo não passar de uma turbulência no meio do
voo.
Mas outas vezes tudo dá tão errado de forma tão contundente
que parece que você está caindo em queda livre sem nada pra te amparar; as
válvulas de escape já não são boas o bastante pra você relaxar e enxergar uma
solução. E você não quer mais escutar música, e nem dançar, e evita sair porque
está aturdida demais consigo mesma pra se entregar plenamente num convívio
social, e é difícil conter as lágrimas porque qualquer coisa te remete aos seus
problemas.
Pra minha sorte essas tempestades emocionais são pouco
frequentes; contudo, quando acontecem não sei bem o que fazer. Então eu me
entrego, sinto tudo se rasgando dentro do meu peito, me afogo em sofrimento e
choro até ficar física e emocionalmente cansada. Daí antes da segunda onda de tristeza voltar pra me atormentar é a hora de agir pra fazerem as coisas fluírem melhor.
Cada um lida com a própria dor do seu jeito. E todos temos o
direito de estar tristes e introspectivos. Porém, como via de regra o mundo não está disposto a
lidar com a tristeza alheia. Não sei se ele sequer sabe interpretar o que é tristeza.
Lidar com alguém triste significa abrir mão dos próprios sentimentos e se interessar
em restaurar os do outro e em geral as pessoas não são tão solícitas e sensíveis
a esse ponto. "Ria e o mundo rirá com você. Chore e você chorará sozinho" (Oldboy). Perceber que isso está mais próximo da realidade do que da ficção só agrega mais tristeza ao montante.
Hoje estou triste e não tenho outra forma de melhorar de lidar com isso que não sentindo dor.
Então, desculpe-me por não sorrir, ser seca, pessimista, monossilábica, pouco carinhosa e divertida.
Então, desculpe-me por não sorrir, ser seca, pessimista, monossilábica, pouco carinhosa e divertida.
Pra sonhar
Já tem um tempo percebi que fiquei mais dura e fria. As coisas que antes tocavam minha alma tão profundamente e me comoviam tanto já não me tiram mais lágrimas. Não sei em que momento isso aconteceu, mas aconteceu. Talvez tudo tenha menos intensidade na vida versão adulta. Talvez não.
Agora são 1:48 da madrugada e eu to escutando pela 6a vez a mesma música e só deus sabe como ainda não desidratei!
No meio do feriado um casal de amigos de Rômullo (e meus tb, gosto de pensar) decidiu casar; então, saímos do acampamento da nossa tropa e fomos pra praia da Urca.
E quando a noiva linda e feliz entrou com essa música me vi afogada em tanta emoção.
São tantas promessas, tem tanta história, tanta expectativa; tudo junto acontecendo com o por do sol colorindo o céu e o mar cantarolando sob todos. Tão puro, tão despretensioso e verdadeiro. O mundo pareceu tão bom, me senti tão cheia de esperanças.
Vi restaurada em mim a fé no amor, que em algum momento que eu não sei qual tinha se quebrado.
Demorei anos até admitir que amo Romullo. De vez enquanto nos desentendemos, principalmente porque eu sou insegura e nunca descobri o que faz ele gostar de mim. Mas mesmo assim agora parece tão óbvio nosso amor. Nossa história acontecendo todos os dias e se transformando.
Hoje, exatamente hoje, eu sou a pessoa mais apaixonada do mundo! Porque eu sei o sonho que estamos construindo. Sei que é meu, é nosso. Nós construímos e quebramos e construímos de novo ainda melhor e se for preciso vamos reconstruir sempre que for preciso. Sem pressa.
E eu posso ficar simplesmente feliz. Sem medo do sonho quebrar e eu me machucar com os estilhaços, porque ele não foi pré fabricado, pré sonhado, não saiu de um conto de fadas ou de um filme. Ele foi escrito e editado por nós dois.
2:38, mais sei lá quantas vezes escutei e estou oficialmente com uma desidratação grave.
Então, Daniel e Joanna , obrigada por me deixar ver o coração de vocês, foi uma das coisas mais linda que já vi.
Romullo eu realmente te amo, hoje mais do que ontem e amanhã vou dar um jeito de te amar mais ainda. Chega de ser feliz com cautela e esperar o pior.
Acho que a gente vai ser feliz na maior parte do tempo e isso é mais do que suficiente.
Clipe Oficial "Pra Sonhar" - Marcelo Jenecihttps://www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90&feature=youtu.be
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Das coisas de ser jovem:
Ok, é legalmente capaz de tudo, mas na pratica nem sempre é
assim. Você pode muito, mas não tudo; Mesmo sendo capaz, as pessoas não te
debitam o crédito por ser muito novo e inexperiente. Todos te cobram
comportamento de gente grande, mas te tratam feito criança. E aí, é claro, vai agir como criança. Quando os limites não são claros, cada um interpreta da forma que melhor lhe convir.
A sociedade é indulgente. Acho que mais que no resto do
mundo, o brasileiro é acomodado. Em outros lugares com 18 anos ninguém mais
mora na casa dos pais e tem que se virar realmente sozinhos. Aqui continuamos
morando no mesmo quarto até encontrar outro alguém pra partilhar a vida,
independente se isso vai acontecer com 20, 30 ou nunca. Sem falar nas vezes que
o filho se muda e constrói uma casa “própria” no quintal dos pais ou se casa e vai morar no mesmo quarto onde sempre esteve.
Com 10 anos uma criança já sabe o que é certo e errado. Em
outras civilizações com 14 anos o menino já era considerado um homem com todos
os direitos e deveres. Hoje só ficam com os direitos.
E é nessa fase desacreditada e despreocupada, 17, 18 anos,
que você escolhe aquilo que será seu arrimo pra vida; todas as maravilhas de
ser adulto lhe são ofertadas abertamente, indiscriminadamente, com a transigência
e irresponsabilidade de ter pouca idade.
Então se forma e tem que arranjar um
emprego não tendo experiência e já não depende financeiramente dos pais; daí
tadam virou gente grande. Como se dormisse com 20 anos sendo irresponsável e
acordasse na manha seguinte magicamente sendo um adulto. E isso é
indizivelmente injusto e cruel com qualquer pessoa.
Todos aqueles anos que o mundo foi indulgente e deixou de
cobrar a responsabilidade e de acreditar na capacidade só serviram pra fazer da
criança um jovem adulto irresponsável e pouco crente em si mesmo. Às vezes esse jovem adulto vai amadurecer, não
com 20 e sim com 30 ou
40 anos. Outras vezes ele pode se acomodar e brincar de
trabalhar, de criar família, mas sem nunca realmente crescer e criar os valores
que lhe deveriam ter sido dados quando novos.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Cinza
Tem dias que simplesmente são cizas.
Sem cor, sem graça, sem vida.
Sem energia, sem emoção, sem felicidade.
Sem vontade, sem soluções, sem carinho.
Tem dias que o cansaço e a rotina pesam.
Dias que fazer só o de sempre não é tão divertido.
E você não acha saída pra isso;
Não pode fazer nada pra se sentir melhor, afinal, não tem tempo pra isso.
Nesses dias os comentários e as brincadeiras te afetam mais.
E então o que já não estava bom piora.
Uma vez por mês essa vastidão de cinza se chama TPM, das outras vezes não sei como chamar.
Talvez solidão, que se instala quando a gente está no meio da multidão?
Talvez uma tristeza sem um único motivo?
E minha criação me obriga a ser feliz.
A maior parte do tempo funciona (ainda bem).
Mas na menor parte do tempo, quando a tristeza se instala no cantinho do peito, me sinto incrivelmente culpada.
Afinal, tenho muito pelo que agradecer e muitos motivos pra ser feliz enquanto tanta gente com mais problemas do que eu lida bem com eles.
Algo doído fica resonando dentro do peito, incomodando igual um espinho; e colocando minhocas sem nomes na cabeça. Daí estou triste, pareço triste mas não sei exatamente porque.
Não sou muito dada à esse tipo de texto, mas é o que tem pra hoje.
Sem cor, sem graça, sem vida.
Sem energia, sem emoção, sem felicidade.
Sem vontade, sem soluções, sem carinho.
Tem dias que o cansaço e a rotina pesam.
Dias que fazer só o de sempre não é tão divertido.
E você não acha saída pra isso;
Não pode fazer nada pra se sentir melhor, afinal, não tem tempo pra isso.
Nesses dias os comentários e as brincadeiras te afetam mais.
E então o que já não estava bom piora.
Uma vez por mês essa vastidão de cinza se chama TPM, das outras vezes não sei como chamar.
Talvez solidão, que se instala quando a gente está no meio da multidão?
Talvez uma tristeza sem um único motivo?
E minha criação me obriga a ser feliz.
A maior parte do tempo funciona (ainda bem).
Mas na menor parte do tempo, quando a tristeza se instala no cantinho do peito, me sinto incrivelmente culpada.
Afinal, tenho muito pelo que agradecer e muitos motivos pra ser feliz enquanto tanta gente com mais problemas do que eu lida bem com eles.
No fim das contas me sinto uma pessoa fraca e fico ainda pior.
Às vezes sinto que soo errada. Como um erro de fabricação!!!Algo doído fica resonando dentro do peito, incomodando igual um espinho; e colocando minhocas sem nomes na cabeça. Daí estou triste, pareço triste mas não sei exatamente porque.
Não sou muito dada à esse tipo de texto, mas é o que tem pra hoje.
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