quinta-feira, 18 de junho de 2009

Não sei.


Nascemos com certas certezas que não são muitas e nem claras.
Não tenho certeza do casamento, mas sei quais serão as madrinhas.
Não sei qual o rosto do meu filho, mas sei como vou segurá-lo.
Não sei qual será meu trabalho, mas sei que será algo que ajude as pessoas.
Não tenho certeza de como será minha filha, mas sei o que vou cantar para que ela durma.
Não sei porquê nasci, mas sei pelo que morreria.
Não sei como, mas sei o que vim fazer aqui nessa vida.
Não sei o que signifiquei para os outros, mas sei quais nunca vão sair da memória.
Não sei sempre o porquê, mas sei o que é certo.
Não sei como se desenharão minhas certezas, mas posso senti-las.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

E porque não...

Sorrir?





Mesmo correndo o risco de ser brega,
assumo que estou loucamente feliz.


Sendo assumidamente piegas,
a gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano.


E para terminar de forma bem clichê,
eu estou rindo à toa, afinal um dia sem rir é um dia desperdiçado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Palavras.



Futuro amado,
quero me apaixonar por você.
Hoje meus gestos sussurram, meus olhos gritam e você não escuta.
Quando falo o sentido queima nas entrelinhas não no literal, mas você não percebe.
Meu corpo esbraveja emoções quando danço, mas não é você o meu par.
A cor do esmalte, a roupa, o perfume, a música, cada um escolhido meticulosamente baseado em vontades que vem do nada, mas que refletem diretamente meu humor que você não sabe associar.
Espero o dia em que me traduza através desses sinais.
Você saberá qual roupa pede qual atitude, qual olhar significa encrenca ou qual significa desejo.
Espero o dia em que eu me apaixone e seja correspondida.
Nesse dia palavras não serão necessárias.
Quero descobrir o que significa seu silêncio.
Porque daquele perfume.
Se naquele olhar havia tudo o que eu vi.
Quero me apaixonar.
Quero amar com todos os sentidos.
Te olhar, te provar, te tocar, te sentir, te escutar.
Quero ser lida, interpretada e entendida.
Quero ler, interpretar e entender.
E nesse dia não desperdiçaremos palavras.
Mas por enquanto falo.
E falo com toda calma e paciência até o dia em que for mais preciso.

domingo, 24 de maio de 2009

Fisiologia Sensorial.


Em fisiologia as modalidades do sistema de percepção são seis: visão, audição, paladar, olfato, somestesia (dor, tato, temperatura e propriocepção -reconhecimento espacial do corpo) e equilíbrio.

Os estímulos externos são percebidos por receptores distintos e poucas são as coisas que conseguem ativar todos ao mesmo tempo. Uma comida, por exemplo, se for gostosa, cheirosa, quentinha e bonita ativa quase todos os sentidos, mas não todos.

A única coisa que consegue mexer com toda minha fisiologia sensorial é uma paixão. Sempre amo com todos os sentidos, amo por todos os poros, pelos olhos, boca, nariz e orelhas, meu cérebro pira, tudo funciona e me sinto viva.

Tem quem lembre do outro com uma música, ou um cheiro, ou uma frase. Eu sinto o outro pelo toque, pelo cheiro, aparência, voz, gosto, tudo, tudo me remete ao objeto de desejo.

Cada uma e todas as coisas falam. Um cheiro no cangote; o perfume que inebria; o beijo que tira o fôlego; o abraço que acelera o coração; o cheiro do outro me remete a lembranças; se fecho os olhos é a imagem dele que vejo; quando me distraio é nele que penso; não imagino mais a Raíssa, quando me vejo o meu corpo sempre é continuado pelo dele; quando me toca, meu corpo estremece e perco o foco; a imagem dele me leva longe.

Fatalmente meus sentidos tornam-se mais acurados quando estou apaixonada. Parece que existo melhor quando estou amando. Funciono em melhor rotação.

Quando amo meu corpo inteiro se torna um único órgão receptor e tudo o que vem do outro representa o estímulo necessário pra ser repassado ao encéfalo e interpretado como simples e incondicional amor e desejo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

HIPERDIA


Querido diário;

Passei o dia ranzinza, irritada, com raiva, remoendo coisas ruins, sendo pequena.
Isso não é comum pra mim. Gosto de ser otimista, animada e ter sempre boa vontade com tudo e todos, mas às vezes me permito ser intragável. Como hoje, por exemplo. Estava com vontade de socar ou quebrar algo com toda minha força ou outro treco, o que viesse primeiro.
Mas até nesses dias atípicos em que fico assim conscientemente acho saídas pra ele, mesmo sem querer.
Usar o blog de diário é uma dessas saídas, principalmente se eu estiver escutando musica de fossa enquanto escrevo. Alias, essa classe é uma das minhas preferidas. Tânia Alves, Maysa, Eliana Printes, Marisa Monte, Mariana Baltar, e uma longa lista.
A outra incrível atenuante de mau-humor é a academia. Essa sim é absurdamente eficaz.

Se pensarmos friamente é algo que na teoria deveria ser ruim:

• Eu pago uma mensalidade que aleija meu parco orçamento: Conta extra a pagar.
• Transpiro como em 485 no verão: Sudorese grupal.
• Sinto dor a cada movimento com aquelas caneleiras infernais e alteres e anilhas e todos os muitos aparelhos de tortura já inventados e alegremente incorporados pelas academias: Micro-lesões em minhas fibras musculares.
• Várias pessoas ficam analisando seu traseiro dentro daquelas calças hiper justas, e digo pessoas, não só homens porque quem mais olha são as mulheres: Ambiente hostil.
• A dita cuja fica a nada mais nada menos que 13 quarteirões da minha casa e o caminho é uma longa rua mal iluminada: Andar 15 minutos.
• Chego da faculdade depois de lidar com um transito dos demônios em pé no ônibus lotado e tenho que sair correndo pra chegar a tempo da aula: Presa e correria.

Mas apesar de todos esses pontos negativos eu simplesmente amo a tal da academia. Posso estar no meu pior dia, como hoje, não importa, levantar peso, fazer jump, ioga, sppining ou qualquer outra das muitas atividades dolorosas de lá no fim do dia me dá uma sensação muito gostosa.

Analisado emocionalmente é algo muito bom:

• Saímos com a sensação de leveza no corpo: Alonga, cansa, relaxa.
• Focamos tanto em corrigir os movimentos e fazer o melhor possível que esquecemos os problemas que fizeram do dia um dia ruim: Ajuda a espairecer, e muito!
• Dá uma sensação de que estamos fazendo algo ativamente, não só reclamar das gordurinhas e suas amigas: Me sinto mais magra a cada dia.(50% ilusão)
• Lá por algum aborto da natureza as pessoas são simpáticas e sociáveis. Conversas desinteressadas e amenas brotam: Faz bem exercitar também minha capacidade de socialização!
• Depois que já me auto-impingi uma canseira durmo bem como uma jaca esparramada: Anti-insônia.
• E em longo prazo todos essas sensações viram efeito: Realmente fico mais rija e magra.
• Libera raiva contida, mesmo que inconscientemente: O que me lembra que eu quero voltar a fazer boxe!

Agora, 02:10 continuo ranzinza, mas num grau mais tênue e posso finalmente fazer (tentar ao menos) meu trabalho de cinesiologia. E tudo graças ao combo academia + música de fossa + ignorar qualquer criatividade e temática interessante e descrever simplesmente meu dia. Que foi realmente um Hiperdia, que não significa sistema de prevenção de diabetes (como eu deveria ter colocado na prova de hoje) e sim um dia daqueles (que foi o que eu coloquei na prova de hoje)!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Traça Feliz.


Como eu li nalgum lugar: um livro fechado é como um amigo ao qual não damos ouvidos.
Adoro ler. Tenho minhas épocas. Algumas vezes leio como uma maníaca compulsiva, às vezes leio devagar, mas sempre to lendo alguma coisa. Principalmente depois que saí da escola; agora que não tenho mais aulas de literatura, não tenho mais história nem nada nem minimamente humano tenho lido com ainda maior freqüência.
As pessoas falam que brasileiro não lê nada, nunca, e falam isso com um tom pejorativo, como se fosse por preguiça ou algo que o valha. Mas pelo amor de Deus! Um bom livro custa 40 pratas! E toda vez que um acaba vem a vontade de ler outro e de onde vai sair mais 40 pratas pro próximo livro? Demora em média uma semana pra acabar um livro, não posso dispor de 160 pilas por mês só pra livros. Mesmo em sebos, livros bons são uns 20 paus. Ainda não posso fazer isso, minha mesada não cobriria os gastos...Infelizmente.
Tenho muita sorte de sempre ter o que ler. E acho que faz muita diferença na minha vida.
Comecei a emprestar alguns livros pra algumas amigas na faculdade e quando uma delas falou que eu quem a fez começar a gostar de ler fiquei realmente feliz e achei injusto com o resto do mundo que não lê porque não pode ou porque ainda não achou o tipo de livro adequado!
Então é com muito orgulho que apresento a biblioteca: “Traça Feliz!” Já que é pra alguém devorarem meus livros, que ao menos sejam pessoas.
Juntei alguns livros que estavam juntando poeira no escoteiro com os meus, com algumas doações de amiguinhas e eis que brota uma biblioteca. Uma parca biblioteca, admito, mas ela há de crescer! Mais amiguinhas podem querer contribuir, a gente sempre se surpreende com a gentileza alheia.
Dei a luz à Traça feliz lá na sede do grupo escoteiro, em Pendotiba onde muitas criancinhas, pré-aborrecentes e adultos vão poder usufruir dos livros ao invés das traças do meu armário.
Não sei se os jovens vão querer pegar livros pra ler, mas ao menos eles estarão lá à disposição.
(Algum dia monto também uma pinacoteca, mas esse projeto ainda vai demorar um bom bocado.)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ode à frutinha esquisita!



Se eu fosse famosa a ultima fruta que imortalizaria seria a banana ou o abacaxi. O que deu nessa gente pra colocar bananas na cabeça e sair cantando uma ode a ela? Ou sair oferecendo abacaxi aos convidados?
Eu tornaria famoso o alimento de Zeus, o diaspiro ou o vulgarmente conhecido caqui.
Apesar dele ser um produto originalmente asiático, ele é maravilhoso, simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO!
E além de tudo isso é um fruto de boa índole, um fruto de família. É o único que tem filhotes. Tem coisinhas mais firmes que o caqui dentro dele. É uma coisinha que parece uma borrachinha, é gostoso de morder! Como caqui em boa parte por causa dos filhotes.
Sem falar nas vitaminas A, B1, B2 e E, além de cálcio, ferro e proteínas. Tudo isso em 80 calorias.
Tem uma cor legal entre laranja e vermelho, meio esquisita, mas legal. Na verdade a fruta toda é esquisita, parece um tomate descolorado, tem uma textura esquisita e tem filhotes muito estranhos, sem falar na casca cheia de cica. Mas eu não consigo passar por um caqui e não comer!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Acalanto para a dor.




Falaram-me que a dor é inevitável, o sofrimento, opcional.
Então porque estou tão triste? Eu não optei por isso.







Queria poder ignorar, ou hibernar até que tudo pareça um pesadelo, mas não é possível. Algo foi quebrado e nunca será restaurado.
Posso fingir pra todos que já passou, que não significou nada de mais. Mas não pra mim, sofro e não escolhi por isso.
Quero dormir e não sonhar.
Queria que xingar, chutar e gritar resolvessem. Mas não resolvem.
Quando não tem um fim, não acaba. Fica pulsando no fundo, por baixo de tudo.
O fim em si não é o problema. Não ter um fim é um problema.
É como ficar presa num limbo. E não posso me libertar, não das lembranças, da frustração e nem das perguntas. Não do cheiro.







Hoje guardo os poemas que te fiz
Recolho as rimas, as palavras loucas
Os versos amarrotados, amontôo

Hoje desejo o inexprimível
Acariciar o nada, sentir o vazio
Alhear-me de qualquer lamento

Hoje prefiro a imprecisão, o disfarce
Asfixiem os tolos suspiros e murmúrios
Ou qualquer voz que fale de saudade

Hoje embrulho a ilusão, a espera
Engaveto os delírios e quimeras
Lavo-me dos cheiros das promessas

Hoje não me falem de poesia
Emudeçam o sol, vigiem a lua
Silêncio! Minha dor quer apenas dormir...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Exdrúxulo.


Tanto meu fotolog quanto meu blog, infelizmente, possuem dois tipos apenas de textos com quais eu os preencho: Textos de nenhuma relevância, abordados de forma palhaça e poética; ou cedo à minha personalidade bipolar e uso meu latifúndio virtual como desabafo de extrema felicidade ou tristeza.
No momento falta-me criatividade pra coisas divertidas do nipe dos meus textos de babaca-jornalismo, então apelo pro ‘querido diário’.
E como minha criatividade não esta chegando nem em níveis mínimos não é possível sequer produzir um texto completo.
Mas o poust será salvo pela presença simples e mágica de palavras que eu adoro!
Por exemplo: “cretino”, se falado no tom certo, é um xingamento que se hiperboliza sozinho! Um cretino bem pronunciado vale mais que 10 idiotas.
Outra muito boa é “fornida”. É uma versão melhorada de gostosa, gostosa é vulgar e ao meu ver incoerente, o fulano que chama uma estranha de gostosa ainda não provou a dita cuja pra afirmar se é ou não! Já fornida... É aquela sujeita cheia, não gorda, toda bem feita e quente, tipo forno mesmo. A palavra sozinha molha a ponta do dedo, encosta nela mesma, sai fumaça e faz tssssss.
Jagunço é outra que se auto-define. Escuto jagunço e dá medo, vejo um cara atarracado, com cara de quem chupou limão e uma peixeira na mão.
Agora também existem aquelas que são legais, mas não se parecem com seu significado, acho que elas são mais tristes, eu queria parecer com o que sou!
Por exemplo: “macambira” parece nome próprio, ela seria a irmã de Macabéia e de Macambúzio. Mas Macambira é uma planta, Macabéia é uma personagem de livro e macambúzio é aquele sujeito acabrunhado. Mas você tem que concordar comigo de que eles seriam uma família deveras feliz!
“Lipídio” também parece nome próprio, e nome de realeza, e não uma gordura xexelenta.
Também tem o “Kaô”, me lembra um pássaro. Se eu fechar os olhos vejo claramente um pássaro de grande envergadura planando longe no céu.
‘Vejam, é um magnífico kaô! – Eu diria.
Oh! Mas eu achava que eles estavam extintos...- Responderiam’
E mais! Os professores tentaram nos ensinar que existe classe de palavra, mas na verdade existe mesmo é palavra de classe. “Lânguida” e “Sílfide” tem classe, são posudas e empertigadas. Agora e “tilanga” e “silfo”? Tilanga é um peixe pequeno e gordo, mas parece um xingamento. E silfo e o masculino de sílfide e enquanto sílfide voa e dança feito uma bailarina silfo parece um peido. “Mamãe, o Toninho bem soltou um silfo – diz Marianinha se rindo com a mão na boca”.